quinta-feira, 1 de março de 2012

Fevereiro

15. Entre o Céu e o Inferno (2006), de Craig Brewer (DVDRip) (**)
14. Você Gosta de Hitchcock? (2005), de Dario Argento (DVDRip) (**1/2)
13. Os Motivos de Berta (1985), de José Luis Guerín (DVDRip) (**1/2)
12. As Aventuras de Tim Tim (2011), de Steven Spielberg (Cinemark – 3D) (**1/2)
11. Desejo e Obsessão (2001), de Claire Denis (DVDRip) (**1/2)
10. Singularidades de uma Rapariga Loura (2009), de Manoel de Oliveira (DVDRip) (***)













9. Shine a Light (2008), de Martin Scorsese (DVDRip) (***)
8. J. Edgar (2011), de Clint Eastwood (Cinema do Museu) (***)
7. Hugo (2011), de Martin Scorsese (Espaço Unibanco Cine Glauber – 3D) (***1/2)
6. Barry Lyndon (1975), de Stanley Kubrick (DVD) (***1/2)
5. O Artista (2011), de Michel Hazanavicius (UCI Iguatemi) (****)
4. Cidade dos Sonhos (2001), de David Lynch (DVD) (****)














3. O Pagamento Final (1993), de Brian de Palma (DVD) (****)
2. Faces (1968), de John Cassavetes (DVDRip) (****1/2)














1. Sobre Meninos e Lobos (2003), de Clint Eastwood (DVD) (****1/2)

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O filme é um só*

O prêmio de melhor ator e a boa recepção em Cannes fizeram muita gente bacana se interessar por e escrever sobre O Artista (2011), de Michel Hazanavicius, enquanto o Oscar fez ou vai fazer mais gente assistir.

Depois de vê-lo, me parece menos relevante se o mais forte é o gosto de homenagem ou de pastiche, de nostalgia ou de paródia. Lógico que um filme quase totalmente mudo e com imagem quadrada remete a clássicos sacralizados da primeira metade do século passado, mas O Artista, como todos os familiares que assumidamente bebem de fontes anteriores, é um filme único e deve funcionar como tal. Funciona? A pergunta nem sempre é simples, mas o filme o é, e talvez aí esteja sua graça.

Não sendo uma obra-prima do melodrama, da comédia ou do romance (onde o é mais falho), o maior diferencial está no carisma e na presença de protagonistas (a ótima Bérénice Bejo e o ainda melhor Jean Dujardin, além do simpático cachorro) ao encarnarem gêneros, assim como no encaixe de momentos inspirados.

Para não falar da saída-redenção, do pesadelo sonoro, ou do “bang”, vamos à primeira parte: o (re)conhecimento do sapateado e, principalmente, a “auto-carícia”, talvez a imagem mais bonita de todo o filme, cuja fotografia abusa da beleza. E apesar de um ou outro momento arrastado, temos uma essência que carrega emoção sem pudores, mas também sem constranger.

O rabugento pode dizer que, se fosse feito no período em que se passa, ou até um pouco depois, O Artista passaria despercebido. Talvez, mas ele não foi feito nos anos 30. Ainda assim, pode levar um ou outro a perder parte do preconceito com outros filmes mudos, o que não é pouco. E o que importa, sua hora e quarenta de projeção e o que fica dela, até agora me soam bem dignas.

* Coluna originalmente publicada aqui.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

*A força dos "chatos"

Rever Na Cidade de Sylvia (2007) e Brown Bunny (2003) na mesma semana me fez pensar sobre filmes “chatos”.

No primeiro, temos basicamente um homem olhando mulheres em busca de apenas uma, no outro acompanhamos um motoqueiro que pouco corre. Nos dois casos, a ação é pouca, fala-se menos ainda.

O que eles fazem, entre outras coisas, é usar o que o cinema tem mais de exclusivo (a imagem por uma câmera) para criar uma sensação dificilmente atingida se a hipotética monotonia fosse diminuída, se o filme fosse reduzido a um média-metragem.

Graças à meia-hora de olhares, me parece inevitável a angústia quando o personagem principal se perde em Na Cidade de Sylvia, me parece impossível não crer na sua tendência voyeur, na miragem que ele enxerga mais adiante. Isso para não falar no tesão que José Luis Guerín tem pela câmera e pelas mulheres, contagiante para quem simpatize com a beleza que as duas podem mostrar.

Falando nelas, em Brown Bunny temos o famigerado explícito sexo oral. Mas ele vem após Bud Clay (Vincent Gallo, diretor, protagonista e na época namorado da atriz Chloë Sevigny) pouco fazer além de transbordar melancolia e carência. É redundante, sim. Mas como tornar um sexo explícito em algo realmente invulgar e aflitivo, sem mostrar tudo que o precede, toda depressão presente naquele quarto?

Desconfio que, depois de ver Brown Bunny, a primeira transa de muitos soe triste. Nenhuma decepção verdadeira dura cinco ou dez minutos e é esquecida. Dessas todo mundo deve ter diariamente. Uma angústia como a de The Brown Bunny, não.

Da mesma maneira, o rosto de uma mulher pode ter força o suficiente para levar à alucinação. Mesmo em um voyeur, ou principalmente nele, que se resume a olhar outras tantas que são iguais a ela só até certo ponto.

Quatro anos se passaram, a figura dela não. A vida segue, mas a imagem e a lembrança ficam. Ah, se toda chatice fosse assim...

* Coluna originalmente publicada aqui.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Janeiro

Mês bom. Em breve texto sobre chatice, entre outras coisas.

14. Corrida Sem Fim (1971), de Monte Hellman (DVDRip) (**1/2)
13. China Girl (1987), de Abel Ferrara (DVDRip) (**1/2)
12. Irmãs Diabólicas (1973), de Brian de Palma (**1/2)
11. Tiros na Broaway (1994), de Woody Allen (**1/2)
10. L’Appolonide – Os Amores da Casa de Tolerância (2011), de Bertrand Bonello (Cinema do Museu) (***)
9. Bukowski – Born Into This (2003), de John Dullaghan (DVDRip) (***1/2)
8. Adeus, Primeiro Amor (2011), de Mia Hansen Løve (Cine Vivo) (***1/2)
7. Shine a Light (2008), de Martin Scorsese (DVDRip) (***1/2)
6. The Brown Bunny (2003), de Vincent Gallo (DVDRip) (***1/2)
5. Faça-me Feliz (2009), de Emmanuel Mouret (Cinema da Ufba) (***1/2)
4. Buffalo 66 (1998), de Vincent Gallo (DVDRip) (***1/2)
3. Cavalo de Guerra (2011), de Steven Spielberg (Cinemark) (****)
2. Na Cidade de Sylvia (2007), de José Luis Guerín (DVDRip) (****)
1. Uma Viagem Pessoal Pelo Cinema Americano com Martin Scorsese (1995), de Martin Scorsese e Michael Henry Wilson (DVDRip) (*****)

sábado, 14 de janeiro de 2012

A dúvida e o prazer*

Em boa parte de As Canções, a sensação é de que Eduardo Coutinho é quem melhor se repete no Brasil, já que ele volta a fazer tudo que lhe rendeu merecidos elogios em quase tudo, basicamente nos anos 2000. Mas o fim deixa impressão duvidosa.

Não defendo que um filme e um autor precisem sempre “inovar” para serem grandes, sendo Clint Eastwood e Roman Polanski, para ficar em diretores com pegada clássica e ainda na ativa, apenas dois dos melhores exemplos do grupo dos excepcionais sem invencionices. Mas Coutinho, talvez por focar tanto o conteúdo e a sensibilidade que ele não só tem de sobra, como também consegue extrair de seus entrevistados, passe um sinal de esgotamento.

Por outro lado, como falar em esgotamento, quando a suposta repetição ainda faz cada personagem soar único e memorável, quando a suposta repetição, que subjuga outra vez a forma à emoção, ainda comove?

Não tenho dúvida de que é um caso curioso, ainda mais quando muito do repertório é de músicas que não fazem parte do imaginário coletivo do brasileiro médio, aquele que não tem porque não ser cativado pelo que acontece em outros filmes de Coutinho, quando as referências culturais pouco importam.

Agora, contudo, Coutinho larga a mão de um massa amorfa que é “o público” para abraçar cada um de seus depoentes. Ele atinge o ápice do amor por seus “anônimos”. Talvez aí resida a impressão de esgotamento, talvez aí resida o segredo do deleite que ele ainda consegue dar.

* Texto originalmente publicado no Pixelando Online.

domingo, 8 de janeiro de 2012

2011

Menção honrosa para O Leão de Sete Cabeças (1970), de Glauber Rocha, que vi na sala Walter da Silveira, e para o curta A Amiga Americana (2009), de Ivo Lopes Araújo e Ricardo Pretti, que passou no Panorama, também em Salvador. Hispânicos em alta.

20. Léo e Bia (2010), de Oswaldo Montenegro
19. O Homem que não Dormia (2011), de Edgard Navarro
18. Gainsbourg – O Homem que Amava as Mulheres (2010), de Joann Sfar
17. A Alegria (2010), de Felipe Bragança e Marina Meliande
16. Meu País (2011), de André Ristum
15. Super 8 (2011), de JJ Abrams
14. Crítico (2008), de Kleber Mendonça Filho
13. Abutres (2010), de Pablo Trapero
12. O Homem ao Lado (2009), de Mariano Cohn e Gastón Duprat
11. Cópia Fiel (2010), de Abbas Kiarostami
10. Um Lugar Qualquer (2010), de Sofia Coppola

9. A Casa (2010), de Gustavo Hernández
8. As Canções (2011), de Eduardo Coutinho
7. Meia-Noite em Paris (2011), de Woody Allen
6. Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Virtual (2011), de Gustavo Taretto
5. Namorados para Sempre (2010), de Derek Cianfrance
4. Caminho para o Nada (2010), de Monte Hellman
3. Melancolia (2011), de Lars Von Trier
2. A Pele que Habito (2011), de Pedro Almodóvar
1. Balada do Amor e do Ódio (2010), de Álex de La Iglesia

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Dezembro

Nos próximos dias, um top-2011:

9. Spiders (2000), de David Cronenberg (DVD) (**1/2)
8. Maria Antonieta (2006), de Sofia Coppola (DVD) (**1/2)
7. O Desespero de Veronika Voss (1982), de Rainer Werner Fassbinder (DVD) (***)
6. O Garoto de Bicicleta (2011), de Jean-Pierre e Luc Dardenne (Cinema da Ufba) (***)
5. Meu tio matou um cara (2004), de Jorge Furtado (DVD) (***)
4. As Canções (2011), de Eduardo Coutinho (Espaço Unibanco Cine Glauber) (***1/2)
3. Quase Famosos (2000), de Cameron Crowe (DVD) (***1/2)
2. Carrie (1976), de Brian de Palma (DVD) (****)
1. As Pontes de Madison (1995), de Clint Eastwood (DVD) (****1/2)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A paixão pela arma*

Caminho para o Nada (Road to Nowhere – EUA, 2010) foi o primeiro filme que vi de Monte Hellman. Impossibilidade de paralelo com carreira à parte, lembranças imediatas tendem a ser 8 ½ (1963) de Fellini, O Desprezo (1963) de Godard, Abraços Partidos (2009) de Almodóvar e, talvez a maior, Cidade dos Sonhos (2001) de Lynch.

Não que Hellman soe aqui um emulador de Lynch, cuja carreira começou quase duas décadas depois. O que ele faz – como Lynch – é mergulhar em mundo cinéfilo menos romântico e mais sombrio, que envolve mecenas e membros da equipe com passado indefinido e que, dentro do processo do filme dentro do filme, nos confunde.

Mas a piada pronta do título, que se alia a esse embaralhamento, é o que também serve de defesa para o filme. Afinal de contas, se o destino de cada ser é igual, e a tendência natural é fugir dele, a morte não deixa de ser um nada, sendo justamente o caminho que importa. Nesse percurso, o início do filme já deixa claro o que mostra e o que deixa de mostrar, o que é perceptível (o filme dentro do filme, o som do tiro) e o que vai (tentar) ser formado em nossa mente.

Pode-se criticar a construção de personagens, assim como um hipotético “excesso” de cinefilia de personagem-diretor via Hellman, e um grau de confusão que também remete a Lynch nos casos em que a força intuição sugerida supera a falta de compreensão didática – sendo Estrada Perdida (1997) e Cidade dos Sonhos (2001) os possíveis melhores exemplos. Hellman, contudo, parece querer mergulhar não na psicologia, ou nas agruras dos seus personagens, e sim nas do cinema.

“O que importa é o elenco”, “não estou com ciúmes, só me importo com que você faça o filme funcionar” e “largue a arma”, além de discussões com roteirista, são – com certa falha da memória para as aspas – alguns dos momentos textuais que ficam, mas que não impedem que Caminho para o Nada seja absurdamente visual. As duas formas do acidente, os diferentes takes feitos e refeitos, a recepção do filme (e como a câmera camufla situação em início e fim), assim como o último plano, trazem ao resultado final uma força que reside em obsessão pelo cinema. Com um lado apaixonadamente triste que, como toda arma, pode ser letal.

Ps: Uma pena filme ter passado apenas no 7º Festival Internacional de Cinema de Salvador que acabou no dia 24. Será que ele volta, Circuito Sala de Arte?

* Texto originalmente publicado no Pixelando Online.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Filmes - novembro

TV quebrada, notebook em garantia, preparativos para lançamento de NMVF = miséria.

6. O Dia da Desforra (1966), de Sergio Sollima (DVDRip) (**1/2)
5. O Palhaço (2011), de Selton Mello (UCI Barra) (**1/2)
4. Monika e o Desejo (1953), de Ingmar Bergman (DVDRip) (**1/2)
3. Caminho para o Nada (2010), de Monte Hellman (Cinema da Ufba) (***1/2)
2. O Silêncio de Lorna (2008), de Jean-Pierre e Luc Dardenne (DVDRip) (***1/2)
1. A Pele que Habito (2011), de Pedro Almodóvar (Cinema do Museu) (***1/2)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O que nos une*

Apesar do que muitos podem alegar, Balada do Amor e do Ódio (Balada Triste de Trompeta – Espanha/França, 2011), de Álex de la Iglesia, não me soou sub-Tarantino. Direta ou indireta, alguma influência existe, mas enquanto QT é herdeiro direto de Sergio Leone e Brian de Palma, com prioridade por câmera e mise-en-scène, Iglesia parece, com pitadas do burlesco e do grotesco, buscar algo mais orgânico.

Não é só uma questão de fazer a câmera respirar, coisa que às vezes ela faz demais, e em ritmo de cortes que pode soar excessivo nas primeiras partes do filme. Seu tesão por história é maior que a fé numa decupagem perfeita, exceção feita à sequência do Valle de los Caídos, que soa como a prole de Hitchcock com a computação gráfica do século XXI. Mas, ela à parte, Iglesia se liga menos à câmera que à alma dos que estão no filme.

Os palhaços no cinema são, no geral, historicamente caricatos e ligados a gêneros específicos, principalmente terror e comédia. E a apresentação de quase todos aqui nos leva a crer que, afunilando os protagonistas, de fato assistimos a um palhaço sorridente e vilão (Antonio de la Torre) contra um palhaço triste que tende a ser herói (Carlos Areces). Mas a situação não é simples assim, e poucas vezes uma tradução infiel foi tão feliz.

Se no início Iglesia deixa claro um motivo para a tristeza e a vingança, depois ele mostra ódio e amor sem psicologizá-los. No triângulo amoroso, completado pela bela do circo (Carolina Bang), ele dá vazão para que sintam extremos sem moderação, cada um à sua maneira, e em seu “objeto” de admiração ou repulsa. Sua secura ao filmar violência ainda prova que, pelo menos aqui, a dor física de quem é bom não difere da de quem é mau. Não existe espaço para frescuras.

Quando o palhaço diz à sua bela que “a morte une todos nós”, ele poderia resumir tudo, mas o filme vai além em seguida, na última sequência. Ao vermos só dois lados do triângulo, naquele estado, Iglesia parece dizer que a arte (de fazer rir e de fazer chorar), o amor e alegria, o ódio e a tristeza, também têm o mesmo efeito.

* Texto originalmente publicado no Pixelando Online.